Coluna santista: Santos escapa de vexame ainda maior contra o Palmeiras

Foto: Marcos Ribolli
Foto: Marcos Ribolli

O Santos conseguiu executar seu plano durante 33 minutos no Nubank Parque. Depois disso, praticamente deixou de competir. A derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, na quarta-feira (26), pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, expôs uma fragilidade defensiva assustadora e colocou o Peixe diante de uma missão quase impossível na Vila Belmiro.

Cuca entrou com uma proposta clara: fechar espaços, suportar a pressão e procurar o contra-ataque. Por algum tempo, funcionou. Igor Vinicius chegou a ter uma oportunidade para abrir o placar.

O problema foi a reação depois do gol de Flaco López.

Foto: Marcos Ribolli

Santos perdeu completamente o controle

Até sofrer o primeiro gol, havia organização. Depois dele, o Santos pareceu abandonar tudo aquilo que havia planejado.

O gol de Andreas Pereira, ainda no primeiro tempo, tornou o cenário pior, mas a maneira como o Peixe retornou para a etapa final foi ainda mais preocupante.

O time precisava reagir sem se desesperar. Fez justamente o contrário.

Passou a atacar de maneira desorganizada, deixou enormes espaços atrás e transformou o contra-ataque palmeirense em uma ameaça permanente.

Giay, Maurício, Arias e Vitor Roque tiveram oportunidades para ampliar. Se o Palmeiras tivesse apresentado uma pontaria melhor, o Santos poderia ter deixado o estádio com uma goleada muito mais pesada.

Cuca errou ao tirar quem ainda pensava o jogo

A substituição de Rollheiser merece destaque negativo.

Cuca estava insatisfeito com o argentino e decidiu colocar Rony. A intenção de aumentar a presença ofensiva era compreensível. O efeito, porém, foi o inverso.

Rollheiser era justamente uma das poucas peças capazes de dar alguma organização à construção.

O Santos ganhou mais um atacante, mas perdeu o jogador que poderia ligar meio e ataque. Resultado: acumulou jogadores na frente sem saber como fazer a bola chegar até eles.

Não basta colocar mais atacantes para um time se tornar ofensivo.

Sem criação, saída de bola ou equilíbrio na recomposição, o Peixe ficou partido.

Ausência de Neymar pesou

O Santos também entrou no clássico sem Neymar, preservado diante da partida no gramado sintético.

Independentemente da discussão sobre a decisão de não utilizá-lo, sua ausência deixou ainda mais evidente a dificuldade da equipe para encontrar soluções quando Rollheiser saiu.

Depois de atuações competitivas contra Vasco e Mirassol, o desempenho diante do Palmeiras representou um enorme retrocesso.

Milagre na Vila?

O 3 a 0 colocou o Santos em situação extremamente complicada.

Para levar a decisão aos pênaltis, será necessário vencer por três gols de diferença na Vila Belmiro. Uma vitória por margem superior garante a classificação diretamente.

Os números históricos ajudam a dimensionar o tamanho da missão: o Santos não marca três gols em um clássico contra o Palmeiras desde 2014 e não vence o rival por três ou mais gols de diferença desde 2006.

Reverter ainda é matematicamente possível. Futebol já produziu viradas improváveis.

Mas antes de pensar no milagre, o Santos precisa encarar aquilo que aconteceu no Nubank Parque.

O 3 a 0 foi pesado. Pelo volume de oportunidades concedidas, poderia ter sido muito pior.

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