Santos mostrou reação, mas eliminação expõe problema
O empate sem gols com o Palmeiras, na Vila Belmiro, não serviu para manter…
O empate sem gols com o Palmeiras, na Vila Belmiro, não serviu para manter o Santos vivo na Copa do Brasil, mas ao menos deixou uma sensação bem diferente daquela provocada pelo 3 a 0 sofrido no jogo de ida.
O Peixe competiu. Brigou. Tentou pressionar. Teve postura.
Parece pouco diante de uma eliminação, mas, para um time que havia sido completamente dominado no primeiro confronto, era necessário mostrar alguma reação diante de sua torcida.
O problema é que competir não basta.

Santos melhorou a postura, mas continuou sem machucar
É preciso considerar o contexto. O Palmeiras poupou algumas peças e, principalmente no segundo tempo, aceitou entregar a posse ao Santos porque tinha enorme vantagem no confronto.
Mesmo assim, havia uma oportunidade para o Peixe transformar volume em pressão real.
Não aconteceu.
O Santos circulou a bola próximo à área, tentou encontrar espaços, mas quase nunca colocou Carlos Miguel em situação verdadeiramente desconfortável.
Esse talvez seja hoje o principal problema da equipe de Cuca: o Santos tem enorme dificuldade para transformar posse em chances claras e chances em gols.
Não é um problema exclusivo desta partida. É algo que vem acompanhando o time e que fica ainda mais evidente quando o adversário se fecha.
Contra um Palmeiras organizado, faltou velocidade de raciocínio, movimentação e principalmente alguém capaz de encontrar um passe diferente.
Sem Neymar, falta quem pense o jogo
A saída de Neymar no intervalo escancarou ainda mais essa dificuldade.
Enquanto esteve em campo, o camisa 10 concentrava grande parte da responsabilidade criativa. Depois que deixou a partida com dores na coxa direita, o Santos perdeu capacidade para quebrar linhas.
Faltou um jogador capaz de receber entre os setores, acelerar uma jogada ou enxergar uma solução onde aparentemente não havia espaço.
E isso deveria preocupar Cuca.
Um elenco que pretende sobreviver no Brasileirão e ainda competir pela Sul-Americana não pode depender tanto de um único jogador para pensar o futebol ofensivo.
A eliminação pode custar mais do que uma vaga
O maior problema da noite talvez nem tenha sido deixar a Copa do Brasil.
Barreal sentiu a coxa, Neymar saiu lesionado e Lucas Veríssimo também precisou ser substituído.
São três titulares em um elenco que já não oferece tantas alternativas.
E o calendário não terá qualquer piedade.
O próximo compromisso é contra o Internacional, fora de casa, em confronto direto na luta para se afastar do Z-4. Depois vem o Cruzeiro, na Vila, além das quartas de final da Copa Sul-Americana contra o Atlético-MG.
Por isso, a atuação diante do Palmeiras pode servir como referência de postura, mas não pode mascarar os problemas.
O Santos mostrou que consegue competir. Agora precisa provar que consegue criar, finalizar e vencer mesmo quando Neymar não está disponível.
A eliminação terminou de cabeça erguida. A temporada, porém, continua exigindo muito mais do que dignidade.
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