O Santos saiu da 23ª rodada do Campeonato Brasileiro maior do que entrou. E não apenas pelos três pontos conquistados na vitória contundente por 3 a 0 sobre o Vasco, em São Januário. O principal saldo do fim de semana foi perceber que Neymar e Gabigol começam a funcionar juntos justamente no momento em que a temporada entra em sua fase mais importante.
É cedo para afirmar que todos os problemas acabaram. O Santos ainda tem questões evidentes, um calendário pesado e desafios enormes pela frente. Mas o time apresentado nos últimos jogos oferece algo que faltou em boa parte da temporada: perspectiva.
Com Neymar mais participativo e Gabigol decisivo, o Peixe passa a ter argumentos para pensar não apenas em escapar do rebaixamento no Brasileirão, mas também em fazer barulho na Copa do Brasil e na Sul-Americana.

Neymar parece ter entendido o momento do Santos
Talvez a principal mudança esteja no comportamento de Neymar.
Nos jogos contra Macará e Vasco, o camisa 10 foi importante tecnicamente, como naturalmente se espera, mas também apresentou uma postura diferente. Vibrou, orientou companheiros, participou do jogo emocionalmente e assumiu responsabilidades dignas de quem carrega a faixa de capitão.
Mais importante: não caiu na pilha dos adversários.
Esse Neymar é muito mais útil ao Santos.
O clube não precisa apenas de dribles, gols ou assistências do seu principal jogador. Precisa de uma referência capaz de compreender os momentos das partidas e transmitir confiança a um elenco que já sofreu bastante com a pressão em 2026.
A provável preservação contra o Macará, no Equador, não muda essa percepção. Pelo contrário: se a comissão técnica entende que é necessário controlar sua carga para tê-lo inteiro nos compromissos mais importantes, faz sentido.
Neymar deve voltar contra o Mirassol e, posteriormente, haverá uma decisão ainda mais simbólica: o Palmeiras, pela Copa do Brasil.
E o gramado sintético contra o Palmeiras?
Esse talvez seja o grande teste da nova postura de Neymar.
O camisa 10 já deixou clara sua rejeição aos gramados sintéticos. Entretanto, o momento do Santos é diferente. O clube estará disputando uma vaga na semifinal da Copa do Brasil e precisará de seu principal jogador.
Pelo comportamento apresentado nos últimos dias, a impressão é de que Neymar compreendeu que existe uma oportunidade real de terminar 2026 com uma história muito diferente daquela que parecia desenhada semanas atrás.
Se estiver fisicamente em condições, seria difícil imaginar o Santos entrando em um confronto desse tamanho voluntariamente sem seu melhor jogador.
Gabigol voltou a ser Gabigol
E se Neymar oferece criatividade e liderança, Gabigol entrega aquilo que todo time competitivo precisa ter: gol.
Os números falam por ele.
São 17 gols em 34 partidas. Uma média de um gol a cada dois jogos, aproximadamente. Mais do que isso, Gabigol voltou a aparecer constantemente onde um centroavante precisa estar.
Contra o Vasco, desperdiçou uma ótima oportunidade com a perna direita. Poderia ter lamentado a chance perdida. Não fez isso. Continuou procurando espaço e, quando apareceu uma jogada muito semelhante pelo lado esquerdo, estava novamente bem posicionado.
Centroavante que perde uma chance e desaparece preocupa. Centroavante que perde e aparece novamente costuma marcar.
Gabigol tem sido esse jogador.
Ter Gabriel Brazão oferecendo segurança de um lado e Gabigol definindo partidas do outro dá ao Santos uma estrutura básica extremamente valiosa para qualquer equipe que disputa mata-matas.
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