O Santos não jogou bem em Ambato. Também não precisava transformar a noite desta quinta-feira em uma exibição de gala. Com 2.600 metros de altitude, gramado alto, desfalques importantes e uma vantagem construída na Vila Belmiro, o time de Cuca fez exatamente o que a eliminatória exigia: controlou riscos, segurou o 0 a 0 contra o Macará e voltou do Equador classificado às quartas de final da Copa Sul-Americana.
Foi burocrático? Sim. Pouco criativo? Também. Mas existe uma diferença importante entre jogar mal e entender o jogo que precisa ser disputado.
Desta vez, o Santos entendeu.

Cuca abriu mão da beleza e protegeu a vantagem
Sem Neymar, Gabigol e Barreal, esperar o mesmo poder ofensivo seria ignorar a realidade do elenco que viajou ao Equador.
Cuca montou uma equipe mais física. Gustavo Henrique, João Schmidt e Christian Oliva deram força ao meio-campo, enquanto Luan Peres foi deslocado para a lateral esquerda na ausência do suspenso Escobar.
A mensagem estava clara desde a escalação: antes de pensar em atacar o Macará, o Santos precisava impedir que os equatorianos transformassem a altitude e o apoio da torcida em uma pressão constante.
Funcionou.
O Macará teve muita posse em alguns momentos, mas quase nunca conseguiu transformar isso em perigo real. Gabriel Brazão trabalhou pouco, e quando foi exigido apareceu com segurança.
Willian Arão e Luan Peres também merecem destaque. A dupla sustentou um sistema defensivo que praticamente não ofereceu espaços claros ao adversário.
A grama alta também matou o futebol
Tecnicamente, a partida foi ruim.
A grama aparentemente alta do estádio Bellavista dificultou a circulação da bola e prejudicou principalmente um Santos que tentava sair jogando por baixo.
Os passes travavam, a bola perdia velocidade e, rapidamente, a equipe passou a apostar em lançamentos procurando Caballero e Rony.
O problema é que isso praticamente eliminou a construção ofensiva.
A única oportunidade realmente interessante do primeiro tempo surgiu aos 20 minutos, quando Christian Oliva encontrou espaço e tentou acionar Rony dentro da área. O passe saiu forte demais.
Foi pouco.
Mas o Macará também não produzia o suficiente para obrigar o Santos a mudar de postura.
Cuca tentou melhorar, mas não precisava correr riscos
No intervalo, Cuca percebeu que poderia dar um pouco mais de qualidade ao time e lançou Rollheiser e Rafael Gonzaga.
A intenção fazia sentido. Rollheiser poderia oferecer uma conexão maior entre meio e ataque, enquanto Gonzaga daria mais naturalidade à lateral esquerda.
Na prática, pouca coisa mudou.
O jogo permaneceu truncado, lento e com o Santos muito mais interessado em controlar espaços do que em aumentar o placar agregado.
Em outra situação, essa falta de agressividade deveria preocupar.
Em um mata-mata no qual o empate classificava, fora de casa, na altitude e sem as principais referências ofensivas, porém, seria irresponsável cobrar que o Santos se lançasse ao ataque apenas para tornar a partida mais agradável.
Mata-mata também se vence sabendo sofrer pouco.
E o Santos sofreu pouco.
Classificação também mostra evolução de Cuca
Esse talvez seja o ponto mais importante da noite.
Durante boa parte da temporada, o Santos demonstrou dificuldades para interpretar diferentes cenários de jogo. Muitas vezes atacou quando precisava controlar, recuou demais quando precisava reagir ou perdeu equilíbrio emocional em momentos de pressão.
Contra o Macará, não houve isso.
A equipe sabia exatamente o que tinha nas mãos.
A vitória por 2 a 1 na Vila havia criado uma vantagem mínima, mas suficiente. O Santos entrou para defender essa margem sem transformar a partida em um ataque contra defesa desesperado.
Não foi bonito, mas foi maduro.
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