O empate por 1 a 1 com o Mirassol deixou uma sensação especialmente incômoda para o Santos. Não apenas porque o Peixe perdeu a oportunidade de vencer um confronto direto na luta contra o Z-4, mas porque a rodada ofereceu praticamente tudo o que o time precisava para respirar no Campeonato Brasileiro.
Remo perdeu para o Fluminense, Internacional empatou com o Atlético-MG, Grêmio foi derrotado pelo Bragantino, São Paulo tropeçou diante da Chapecoense e o Vitória perdeu o clássico para o Bahia.
Faltou justamente o Santos fazer a própria parte.
Com 26 pontos e na 14ª colocação, o Peixe permanece somente dois pontos acima da zona de rebaixamento. E o problema que impediu uma noite mais tranquila na Vila Belmiro não é novidade: o Santos continua criando mais do que consegue transformar em gols.

O problema não é chegar, é colocar a bola para dentro
Seria mais preocupante se o Santos não produzisse oportunidades.
O time de Cuca consegue ter volume, encontra espaços e, em determinados momentos, domina seus adversários. Contra o Mirassol, poderia ter aberto o placar logo aos dois minutos, quando Gustavo Henrique finalizou em cima de Walter.
Depois, Neymar colocou Barreal em ótima condição. O argentino tinha Gabigol livre para receber, mas escolheu finalizar e novamente parou no goleiro.
O empate santista nasceu justamente de mais uma construção de Neymar. Desta vez, Barreal teve tranquilidade e acertou a conclusão.
O problema é que a eficiência parou por aí.
Até Neymar, normalmente o jogador de maior qualidade técnica do elenco, desperdiçou a oportunidade que poderia ter definido a partida após limpar a marcação.
Não existe estratégia capaz de compensar indefinidamente tantas chances perdidas.
Uma falha defensiva não deveria definir o jogo
O Santos sofreu o gol do Mirassol em um dos poucos momentos nos quais sua defesa não conseguiu controlar a jogada.
Naturalmente, o sistema defensivo precisa ser cobrado pelo erro. Mas uma equipe que produz oportunidades suficientes para vencer não pode transformar uma falha isolada em justificativa para deixar dois pontos pelo caminho.
Se o Santos tivesse aproveitado aquilo que criou, o gol sofrido provavelmente seria apenas um detalhe na análise da partida.
Esse é justamente o tamanho do problema.
Cuca entrega organização; falta o elenco decidir
Dentro das limitações existentes, o trabalho de Cuca apresenta sinais positivos.
O Santos tem organização, consegue controlar períodos das partidas e produz oportunidades mesmo sem contar com um elenco tão profundo quanto gostaria. O treinador também precisa administrar uma sequência pesada de jogos sem a possibilidade de receber reforços neste momento.
Mas futebol não premia quem apenas constrói melhor.
Premia quem faz gols.
E enquanto o Santos continuar precisando de quatro, cinco ou seis boas oportunidades para marcar uma vez, seguirá transformando partidas controláveis em noites de sofrimento.
Contra o Mirassol, a rodada abriu uma porta enorme para o Peixe se afastar do perigo. O Santos chegou até ela, criou as condições para atravessá-la, mas novamente não conseguiu dar o passo decisivo.
A luta contra o rebaixamento continuará desconfortavelmente próxima enquanto a pontaria não acompanhar o futebol que a equipe consegue produzir.
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