Um clássico pode empurrar um time para o céu ou para o inferno em questão de 90 minutos. Para o Santos, a sequência atual parece reunir os dois extremos. Depois de ser atropelado pelo Palmeiras por 3 a 0 e sair do Nubank Parque perto de um “nocaute”, o Peixe respondeu da melhor maneira possível: venceu o Corinthians por 1 a 0, em Itaquera, recuperou confiança e ganhou o direito de olhar para quarta-feira com um pouco mais de esperança.
Não significa que o cenário contra o Palmeiras tenha deixado de ser extremamente difícil. O Santos continua precisando de uma atuação histórica na Vila Belmiro para chegar à semifinal da Copa do Brasil.
Mas chegar para essa decisão depois de vencer o maior rival fora de casa é muito diferente de chegar carregando apenas os destroços da última goleada.

Cuca pode ter encontrado uma formação próxima do ideal
Contra o Corinthians, talvez tenha aparecido uma das versões mais equilibradas que o atual elenco santista pode oferecer.
Neymar e Gabigol concentraram naturalmente as atenções ofensivas, mas quem deu ritmo e inteligência ao time foi Gabriel Bontempo.
O jovem atuou como um verdadeiro articulador. Teve personalidade para receber pressionado, capacidade para escapar da marcação com dribles curtos e, principalmente, visão para acelerar as jogadas no momento certo.
Foi dos pés dele que nasceram algumas das melhores construções santistas no primeiro tempo.
Em uma delas, Bontempo sofreu a falta que originou o gol. Neymar cobrou, a defesa rebateu e Christian Oliva aproveitou para decidir o clássico.
Mais do que a participação direta no lance, Bontempo mostrou algo que o Santos sentiu muita falta contra o Palmeiras: alguém capaz de fazer a ligação entre meio e ataque sem transformar cada posse em uma bola forçada.

Santos também mostrou que sabe sofrer
O segundo tempo foi diferente.
O Corinthians aumentou a pressão, o desgaste apareceu e o Santos precisou abandonar parte da proposta ofensiva para proteger a vantagem.
E protegeu.
A linha defensiva recuou, o time teve menos controle da bola e precisou competir muito mais sem ela. Foi uma vitória construída também na resistência.
Esse aspecto importa porque a temporada ainda colocará o Santos diante de diferentes tipos de jogo. Nem sempre Neymar, Gabigol ou Bontempo conseguirão dominar tecnicamente. Em determinados momentos será necessário sofrer.
Em Itaquera, o Peixe mostrou que também consegue vencer assim.
A vitória permite sonhar, não se iludir
Quarta-feira será outra história.
O Palmeiras tem uma vantagem enorme, construída com justiça no primeiro confronto. Reverter três gols exige quase perfeição.
Mas o Santos precisava chegar vivo emocionalmente.
Chega.
A vitória sobre o Corinthians quebra um tabu, melhora a situação no Brasileirão e devolve confiança a um elenco que havia sido duramente atingido poucos dias antes.
Depois ainda virão os confrontos contra o Atlético-MG pela Sul-Americana e a obrigação permanente de manter distância do Z-4.
Por isso, talvez o maior valor do triunfo em Itaquera esteja além dos três pontos.
O Santos mostrou capacidade de reação. E para um time que ainda terá de enfrentar tantas decisões até o fim do ano, acreditar novamente em si mesmo já é um começo importante.
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