Marcelo Teixeira prepara acordo bilionário que pode mudar a história do Santos

O futuro administrativo do Santos pode passar por uma das maiores mudanças de sua história nos próximos meses. O presidente Marcelo Teixeira trabalha para concluir a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) antes do fim de seu mandato, em dezembro, e já mantém negociações avançadas com o grupo norte-americano Saint Dominique.

Marcelo Teixeira, atual presidente do Santos. Foto: Mauricio De Souza/AGIF
Foto: Mauricio De Souza/AGIF

A operação é considerada estratégica para o Peixe e gira em torno de R$ 2,5 bilhões, valor que colocaria o clube entre as maiores negociações envolvendo SAFs no futebol brasileiro. Além do montante da venda, o projeto prevê um investimento inicial de aproximadamente R$ 1 bilhão destinado ao pagamento das dívidas do clube.

Apesar do otimismo da diretoria, a concretização do negócio ainda depende de etapas importantes nos bastidores, principalmente da aprovação de mudanças no estatuto do Santos.

Negociação com grupo norte-americano avança nos bastidores

As conversas entre Santos e Saint Dominique tiveram início ainda no primeiro semestre. Em fevereiro, as partes assinaram um acordo não vinculante, que permitiu ao fundo norte-americano analisar detalhadamente a situação financeira, patrimonial e administrativa do clube.

Inicialmente, o prazo para essa avaliação era de 90 dias. Entretanto, segundo informações do jornalista Vagner Frederico, esse período foi prorrogado para que o grupo pudesse concluir os estudos e avançar nas negociações.

A intenção das duas partes continua sendo chegar a um acordo definitivo. O projeto apresentado prevê uma aquisição avaliada em R$ 2,5 bilhões, sendo que cerca de R$ 1 bilhão seria destinado diretamente à reorganização financeira do Santos.

O investimento é visto como uma oportunidade para o clube reduzir significativamente seu endividamento e criar condições para novos aportes no futebol, infraestrutura e demais áreas estratégicas.

Nos bastidores, a diretoria entende que a transformação em SAF pode representar um novo ciclo para o Peixe, proporcionando maior capacidade de investimento e competitividade nos próximos anos.

Mudança no estatuto vira principal obstáculo para venda

Apesar do avanço nas negociações com o grupo norte-americano, o maior desafio de Marcelo Teixeira atualmente não está na mesa de negociação, mas sim na política interna do Santos.

Marcelo Teixeira, Santos
Marcelo Teixeira, Santos. Foto: Guilherme Dionizio/Folhapress

Para que a venda seja concretizada, o clube precisa aprovar um novo estatuto que permita a comercialização de até 80% das ações da futura SAF. Essa alteração depende do Conselho Deliberativo, onde o tema enfrenta forte resistência.

Segundo Vagner Frederico, a oposição à atual gestão ganhou força em meio ao momento delicado vivido pelo clube e tem dificultado a aprovação da proposta.

“O grupo de oposição à diretoria cresceu por conta da situação dramática do clube. Então, o Santos está com dificuldade de aprovar o novo estatuto”, explicou o jornalista.

Nos últimos dias, representantes ligados ao projeto também intensificaram as conversas com integrantes do Conselho Deliberativo. Alexandre Cobra, integrante da Exa Capital, participou de reuniões para defender a aprovação do novo modelo de gestão.

A Exa Capital e a XP Investimentos atuam como intermediárias da negociação entre Santos e Saint Dominique. Caso a venda seja concluída, ambas receberão comissão pela operação, motivo pelo qual acompanham de perto todas as etapas do processo.

Enquanto isso, Marcelo Teixeira trabalha para acelerar as discussões e tentar viabilizar a aprovação do estatuto ainda antes das eleições presidenciais do clube, previstas para dezembro.

Nos bastidores, a avaliação é de que concluir o acordo antes do encerramento do mandato fortaleceria a atual gestão e marcaria um dos capítulos mais importantes da história recente do Santos.

Entretanto, até que o novo estatuto seja aprovado pelo Conselho Deliberativo e todas as exigências legais sejam cumpridas, o futuro da SAF santista continuará dependendo tanto das negociações financeiras quanto do cenário político interno do clube. A expectativa é de que os próximos meses sejam decisivos para definir se o Peixe realmente dará o passo rumo ao novo modelo de administração.