Cuca faz forte desabafo sobre crise no Santos: “Não posso colocar a faca no pescoço”

Cuca, Santos
Cuca, Santos

O técnico Cuca foi sincero ao comentar o momento vivido pelo Santos após o amistoso contra o União São João. Em meio ao novo transfer ban imposto pela FIFA, à grave situação financeira do clube e à dificuldade para contratar reforços, o treinador afirmou que, neste momento, a maior prioridade da diretoria deve ser regularizar os pagamentos ao elenco.

O comandante alvinegro destacou que conhece a realidade do clube e garantiu que pretende extrair o máximo do grupo atual, sem pressionar a diretoria por novas contratações.

“Eu estou completamente adaptado ao Santos e sei das dificuldades. Não posso de forma alguma colocar a faca no pescoço de alguém. Não é meu perfil. Eu vou extrair o máximo que posso dos meninos e do elenco que tenho. Se não conseguirmos trazer e colocarmos o salário em dia ou perto disso, é o maior reforço”, afirmou.

Alexandre Mattos, Marcelo Teixeira, Santos
Alexandre Mattos, Marcelo Teixeira, Santos

“Não adianta contratar com salário atrasado”

Cuca foi além e explicou que, na sua visão, manter o elenco motivado passa, antes de tudo, por honrar os compromissos financeiros.

Para o treinador, trazer jogadores sem resolver os atrasos salariais não seria uma solução para os problemas do Santos.

“Não adianta pôr três jogadores e estarem com salários atrasados. Não adianta. Não vamos ter reforço nenhum. Eu sei do momento do clube e temos que entender.”

Mesmo diante das dificuldades, o treinador fez questão de demonstrar confiança na diretoria comandada por Marcelo Teixeira.

“Sei que vou ser parceiro e mais tarde quem sabe o Santos não seja meu parceiro, porque futebol é resultado. Todo mundo sabe. O pessoal está correndo atrás para sanar com imagem. Temos confiança no presidente, no Marcelinho e nem por isso deixam de correr ou treinar como estão fazendo. Estamos contentes com o profissionalismo deles. Temos confiança na diretoria para equilibrar as coisas para nós.”

Cuca aprova reformulação do elenco

Durante a entrevista, Cuca também comentou as mudanças promovidas pelo Departamento de Futebol.

Nas últimas semanas, o Santos afastou Zé Ivaldo, Mayke e Zé Rafael, rescindiu amigavelmente com Tomás Rincón e está próximo de oficializar a saída de Lautaro Díaz.

O treinador afirmou que gosta de trabalhar com grupos enxutos e vê a utilização da base como uma oportunidade para fortalecer o elenco.

“Eu gosto de fazer esse tipo de trabalho. Promover jovens jogadores, resgatar jogadores abaixo e me sinto bem. Meu prazer é trabalho. Quando vemos o trabalho fluir, o que treina acontece nos jogos.”

Base será prioridade

Sem possibilidade imediata de contratar por causa do transfer ban, Cuca deixou claro que pretende apostar ainda mais nos Meninos da Vila.

O treinador elogiou o desempenho dos jovens que atuaram no segundo tempo do amistoso contra o União São João e acredita que eles podem ajudar o Santos na sequência da temporada.

“O Santos tem um ano político, temos dificuldades nesse momento e tiramos quatro jogadores, de repente o Lautaro vai sair. Tivemos cinco saídas e nenhuma chegada. Já estava curto, buscamos na base. Mostramos para o torcedor… o segundo tempo foi até melhor que o primeiro. Eles entraram bem, aproveitaram a oportunidade e isso dá um ânimo para todo mundo.”

Santos vive momento decisivo

A declaração de Cuca acontece em um momento delicado para o clube. Além da punição da FIFA pela dívida de aproximadamente R$ 12 milhões com o Monaco pela contratação de Jean Lucas, o Santos busca recursos para quitar pendências financeiras e regularizar os pagamentos ao elenco.

Enquanto a diretoria tenta resolver os problemas nos bastidores, o treinador mantém o foco na preparação da equipe para o segundo semestre, quando o Peixe disputará Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana.

Foto: divulgação