Sem perspectiva de reforços por causa do transfer ban da FIFA e das dificuldades financeiras do clube, o técnico Cuca tem aproveitado a intertemporada para reinventar o Santos. A ideia é extrair o máximo do elenco atual por meio de mudanças táticas e novos posicionamentos, ampliando as alternativas da equipe para a sequência da temporada.
As novidades ficaram evidentes na vitória por 3 a 0 sobre o União São João, no último sábado (4), no Mercado Livre Arena Pacaembu, quando o treinador colocou em prática diferentes mecanismos ofensivos e defensivos.

Laterais por dentro e mais liberdade no ataque
Uma das principais novidades observadas foi a movimentação dos laterais durante a fase ofensiva. Em diversos momentos da partida, Gabriel Menino e Escobar deixaram os corredores para atuar por dentro do campo, aproximando-se dos meio-campistas e participando da construção das jogadas.
Pelo lado direito, Miguelito permanecia aberto, oferecendo amplitude e liberando espaço para Gabriel Menino atacar o corredor interno. Na esquerda, o comportamento era semelhante. Enquanto Barreal ficava aberto, Escobar ocupava regiões centrais para aumentar a presença do Santos no meio-campo.
A movimentação não foi fixa durante toda a partida, mas mostrou uma alternativa trabalhada pela comissão técnica para gerar superioridade numérica no setor central.
Esquema com três zagueiros ganha força no Santos
Outra mudança chamou atenção na segunda etapa. Na saída de bola, o Santos passou a construir suas jogadas com uma linha formada por Adonis Frías, Willian Arão e João Ananias.
Arão atuava centralizado entre os defensores, enquanto João Ananias, que iniciava as jogadas como terceiro zagueiro, retornava à lateral esquerda quando a equipe perdia a posse de bola. Do lado direito, o jovem Davizinho assumia a função de lateral.
Embora Cuca já utilizasse uma saída de três jogadores antes da pausa para a Copa do Mundo, o amistoso mostrou uma estrutura que pode facilitar a utilização de um esquema com três zagueiros durante as competições oficiais. A experiência de Willian Arão atuando como defensor ao longo da carreira amplia ainda mais essa possibilidade.
Gustavinho ganha liberdade
No meio-campo, Cuca também promoveu uma mudança importante na distribuição de funções. Com João Schmidt e Gustavinho formando a dupla de volantes, cada um teve uma missão específica. Schmidt permaneceu mais recuado, auxiliando a defesa na saída de bola e protegendo a frente da área.
Já Gustavinho recebeu liberdade para avançar, participar da criação das jogadas e aparecer com frequência no setor ofensivo, explorando uma característica pouco utilizada até então.
Mobilidade continua sendo marca do time
Apesar das novidades, algumas características seguem sendo prioridade para Cuca. A principal delas é a liberdade de movimentação dos jogadores ofensivos.
Durante o amistoso, Rollheiser, Miguelito e Barreal trocaram constantemente de posição, aproximando-se pelo centro para criar superioridade numérica e facilitar a circulação da bola.
Esse comportamento já vinha sendo observado antes da pausa para a Copa do Mundo, quando Neymar, Gabigol, Gabriel Bontempo e Rollheiser também alternavam posições na faixa central do campo.
Criatividade como resposta à falta de reforços
Sem poder contratar e diante de um elenco reduzido após as recentes saídas, Cuca tem apostado na criatividade para encontrar soluções internas.
Além de promover os Meninos da Vila, o treinador busca novas funções para jogadores experientes e diferentes variações táticas, tentando tornar o Santos mais competitivo até que o clube consiga superar a crise financeira e voltar ao mercado.
A intertemporada, portanto, tem servido não apenas para recuperar a condição física do elenco, mas também para moldar um novo desenho tático que pode ser decisivo na sequência do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.

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