Jovem sem gol oficial teria salário maior que titular do Santos

Foto: Santos FC
Foto: Santos FC

Uma diferença salarial entre dois Meninos da Vila chama atenção nos bastidores do Santos. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Rodolfo Gomes, Robinho Jr. teria remuneração mensal de R$ 574 mil, enquanto Gabriel Bontempo receberia R$ 200 mil. Se os números estiverem corretos, a diferença provoca uma pergunta inevitável diante do momento dos dois no profissional: o que explica tamanha distância?

Os valores não foram divulgados oficialmente pelo Santos e, portanto, precisam ser tratados como informações atribuídas às respectivas fontes.

O Blog do Paulinho publicou números referentes aos pagamentos registrados via CLT. Segundo a publicação, Robinho Jr. receberia R$ 287.750 mensais nessa modalidade, enquanto Bontempo teria R$ 100 mil.

É comum que contratos no futebol também contemplem direitos de imagem e outras parcelas. Isso, porém, não permite concluir automaticamente que o salário CLT corresponda exatamente à metade da remuneração total de cada atleta sem acesso aos contratos.

Foto: Santos FC
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Desempenho de Bontempo aumenta o contraste

Dentro de campo, o cenário apresentado pelos dois jogadores é bastante diferente.

Robinho Jr. ainda não marcou em partidas oficiais pela equipe profissional. O jovem balançou as redes em cobrança de pênalti no amistoso contra a União São João, mas tem sido uma opção pouco utilizada no time principal.

Bontempo vive situação diferente. O meio-campista soma cinco gols e quatro assistências na atual temporada e conquistou espaço entre os titulares.

É justamente esse contraste que torna a diferença salarial informada tão interessante para discussão.

Salário no futebol, evidentemente, não é definido apenas pelo desempenho atual. Potencial de mercado, idade, duração contratual, concorrência no momento da renovação, projeção futura e condições negociadas por representantes podem influenciar significativamente os valores.

Ainda assim, quando um titular produtivo aparece recebendo consideravelmente menos do que um reserva, é natural questionar os critérios adotados pelo clube.

Gabriel Bontempo no Santos. Foto: Mauricio De Souza/AGIF
Foto: Mauricio De Souza/AGIF

O sobrenome pode justificar tamanho investimento?

Robinho Jr. carrega um sobrenome conhecido no Santos, mas isso, por si só, não deveria ser argumento esportivo ou financeiro para justificar qualquer remuneração.

O que precisa determinar a avaliação de um jovem jogador é aquilo que ele apresenta, sua projeção e o potencial de retorno esportivo e financeiro para o clube.

Também seria injusto cobrar de Robinho Jr. decisões tomadas durante uma negociação contratual. Se o Santos concordou com determinada remuneração, a responsabilidade pelas condições acertadas pertence a quem negociou e aprovou o contrato.

A comparação com Bontempo, portanto, diz menos sobre qual jogador “merece” ganhar determinado valor e mais sobre como o Santos administra sua folha salarial.

Em um clube que atravessa dificuldades financeiras e precisa controlar cada compromisso assumido, diferenças desse tamanho merecem explicações claras quando os valores se tornam públicos.

Se as remunerações divulgadas estiverem corretas, fica a questão para o torcedor santista: o desempenho e a projeção de Robinho Jr. justificam uma remuneração tão superior à de Bontempo?