A explosão de Alexandre Mattos foi desnecessária e expôs um problema de equilíbrio no Santos FC
A entrevista de Juan Pablo Vojvoda após o empate entre Santos FC e Corinthians, na Vila Belmiro, foi tudo o que o torcedor santista esperava em um momento de instabilidade: lucidez, serenidade, autocrítica e visão de processo. O treinador explicou o momento do time, contextualizou as dificuldades e deixou claro que há um caminho sendo construído. Até ali, o cenário era positivo.
Mas a sequência da coletiva mudou completamente o foco.
A intervenção de Alexandre Mattos, diretor de futebol do Santos, foi uma explosão desnecessária, fora de tom e, sobretudo, contraproducente. Ao pedir a palavra e entrar em confronto com um jornalista, o dirigente desviou o debate do futebol para um episódio de tensão institucional que não deveria existir em um clube do tamanho do Santos FC.

Mais do que o conteúdo do que foi dito, o problema está na forma. Um diretor de futebol precisa, acima de tudo, equilíbrio emocional. É um cargo que exige sangue frio, especialmente em momentos de cobrança, críticas e questionamentos públicos. Reagir de maneira exaltada em uma coletiva não fortalece o trabalho interno — ao contrário, passa um recibo de insegurança e fragilidade na condução do projeto.
O Santos vive um processo claro de reconstrução, algo que o próprio Vojvoda deixou bem explicado. Esse tipo de ambiente pede alinhamento entre discurso e postura. Quando o treinador transmite calma e o dirigente responde com confronto, a mensagem ao torcedor e ao mercado é confusa.
Mattos tem currículo, experiência e vivência suficiente para saber que críticas fazem parte do jogo. Questionamentos sobre contratações e planejamento são naturais em um clube pressionado por resultados recentes e por um passado turbulento. A resposta a isso não deve ser o embate público, mas a consistência do trabalho ao longo do tempo.
A coletiva era uma oportunidade de reforçar confiança no projeto e blindar o elenco. Acabou se tornando um ruído desnecessário. Em um clube que busca estabilidade, episódios como esse não ajudam — e cobram um preço alto na percepção externa.
No futebol, tão importante quanto montar elenco e planejar temporadas é saber se comportar nos momentos de pressão. E, desta vez, o Santos saiu de campo empatado, mas perdeu pontos fora dele.
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