Manifestação aconteceu durante votação de mudanças no estatuto do Santos FC e aumentou tensão nos bastidores santistas
A noite desta segunda-feira foi marcada por forte tensão nos arredores da Vila Belmiro. Centenas de torcedores do Santos FC protestaram contra conselheiros e membros da diretoria durante reunião do Conselho Deliberativo que discute mudanças profundas no estatuto do clube.

Fonte: José Edgar de Matos / GE
A manifestação ocorreu na entrada social do estádio e reuniu torcedores contrários à forma como o processo vem sendo conduzido nos bastidores. Entre gritos, faixas e cânticos, os presentes chamaram dirigentes e conselheiros de “omissos”.
O principal motivo da revolta envolve votação de 105 artigos do novo estatuto santista. Ao todo, o Conselho analisa 89 emendas elaboradas pela comissão responsável pela reforma.
Entre os temas mais polêmicos está possibilidade de abertura para venda de até 90% da futura SAF do Santos para uma empresa. O assunto gera enorme divisão política dentro do clube e também entre os torcedores.
Durante o protesto, muitos santistas cobraram mais transparência dos conselheiros. Além disso, manifestantes exigiram que as emendas fossem votadas individualmente e não em bloco único.
Nos bastidores, parte da torcida teme que mudanças consideradas estratégicas sejam aprovadas sem debate aprofundado. O ambiente ficou ainda mais tenso ao longo da noite.
“Se o Conselho aprovar, o pau vai quebrar”, cantavam torcedores durante manifestação na Vila Belmiro.

A pressão também atingiu diretamente o presidente Marcelo Teixeira. O mandatário do Santos FC foi alvo de críticas por parte dos manifestantes, assim como seu filho, que atua como conselheiro influente nos bastidores políticos do clube.
Marcelo Teixeira não estava presente na Baixada Santista durante o protesto. O dirigente viajou ao Rio de Janeiro para acompanhar evento da CBF relacionado à convocação de Neymar para a Copa do Mundo de 2026.
Mesmo assim, o nome do presidente foi constantemente citado pelos torcedores presentes no local. Parte da manifestação pedia posicionamento mais claro da diretoria sobre futuro institucional do clube.
Especialistas em gestão esportiva apontam que processos de transformação em SAF costumam gerar forte resistência política em clubes tradicionais. Questões ligadas ao controle patrimonial, modelo administrativo e participação associativa normalmente provocam debates intensos.
No caso do Santos FC, o cenário ganha peso ainda maior devido à crise esportiva e financeira enfrentada nos últimos anos. O clube vive período de pressão constante dentro e fora de campo.
Além disso, o ambiente político santista já vinha desgastado antes mesmo da votação do novo estatuto. Divergências entre grupos internos aumentaram nos últimos meses por conta das discussões envolvendo modernização administrativa.
O protesto seguiu até o fim da noite desta segunda-feira. Por volta das 23h30, a aglomeração foi dispersada nas proximidades da Vila Belmiro.
Após conclusão da votação no Conselho Deliberativo, o próximo passo será convocação de Assembleia Geral entre os sócios do clube. O presidente do Conselho, Fernando Akaoui, terá prazo de até 30 dias para organizar nova votação.
Caso o texto seja novamente aprovado pelos associados, o novo estatuto passará oficialmente a valer no Santos FC.
Enquanto isso, o clima político segue extremamente quente nos bastidores santistas. A tendência é que próximos dias sejam decisivos para futuro administrativo do clube e para definição do modelo de gestão que será adotado nos próximos anos.
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