“A quem interessa?”: protesto no Santos FC expõe guerra interna nos bastidores

Torcida do Santos FC explode contra Marcelo Teixeira e clima fica tenso na Vila Belmiro

A crise política nos bastidores do Santos FC ganhou mais um capítulo na noite desta quinta-feira. Torcedores das principais organizadas do clube realizaram um novo protesto na Vila Belmiro contra o Conselho Deliberativo e a gestão do presidente Marcelo Teixeira durante mais uma reunião para votação das emendas do novo estatuto santista.

SANTOS FC
Foto: José Edgar de Matos / GE

FONTE: José Edgar de Matos / GE

Assim como já havia acontecido no início da semana, gritos, cobranças e faixas marcaram a manifestação do lado de fora do estádio. O principal alvo da revolta dos torcedores foi uma proposta de alteração no estatuto que aumenta as exigências para candidatos à presidência do clube.

O texto debatido pelos conselheiros prevê que, além do tempo mínimo de associação, o candidato precise ter cumprido ao menos dois mandatos no Conselho Deliberativo para poder disputar a presidência do Santos FC. A versão inicial da proposta exigia até três gestões consecutivas.

A medida gerou forte reação entre os torcedores presentes no protesto. Uma das faixas exibidas questionava diretamente a mudança:

“A quem interessa dificultar candidaturas?”

Atualmente, o estatuto do Santos FC exige dez anos de associação para que um sócio possa concorrer ao cargo máximo do executivo santista. Para parte da torcida, a nova regra pode restringir ainda mais a participação política dentro do clube.

Outro tema que segue causando debates intensos nos bastidores santistas é a possível transformação do futebol do clube em SAF. Durante a reunião da última segunda-feira, o Conselho Deliberativo aprovou uma alteração importante no texto do estatuto envolvendo a participação societária de investidores.

Pela proposta aprovada, um futuro investidor poderá adquirir até 80% da SAF do Santos FC, enquanto o clube associativo manteria 20%. O texto original discutido inicialmente previa a possibilidade de venda de até 90%.

A discussão envolvendo SAF, mudanças políticas e regras eleitorais aumentou a tensão entre torcedores, oposição e dirigentes do clube. Além disso, outro ponto criticado pelos santistas é o fato de todas as emendas serem posteriormente levadas para votação dos associados em bloco, e não separadamente.

Apesar das manifestações, o Conselho Deliberativo deu sequência às votações e aprovou também a manutenção da exigência mínima de três anos de associação para que um sócio possa votar nas eleições do órgão.

Os encontros para definição do novo estatuto continuam na próxima quinta-feira, dia 28. Enquanto isso, o clima político nos bastidores da Vila Belmiro segue cada vez mais quente em meio à pressão da torcida e à instabilidade dentro e fora de campo.